Fazia tempo que queria experimentar uma receita de chili. O dia foi hoje. Havia feijão e uma ameaça de comê-lo à moda da semana. Ah, não. Nestas horas, em que meu almoço de sábado é ameaçado com algo trivial, o espírito da chef é obrigado a baixar no terreiro da cozinha.
Fim de semana tem que ter gosto de novidade.
O chili ficou ótimo. Fácil e prático de se fazer. Mas é um prato para quem é fã de pimenta. De muita pimenta.
No México, o chili é comido como petisco. No Brasil, acho difícil colar, posto que feijão tem cara de almoço. Por isto resolvi fazer no meu.
Orgulhosamente, ao colocar o prato na mesa, ouvi do irmão o desaforo: “FEIJÃOOO?? Ah, eu quero salada também”. A cunhada deu muitas risadinhas pelo pedido descontextualizado. Mainha levantou-se da mesa para atender ao pedido do caçulinha: “Eu bem que disse… “
E eu ri, complacente com aqueles estômagos pouco afeitos ao trivial revisitado.
O clima mexicano foi ameaçado por aquela salada e pedaços intrusos de um resto de lombo que mainha ressuscitou da geladeira e que ninguém comeu.
Ao começarem a comer, todos os narizes retorcidos para o meu prato, todo o desdém se foi à medida que o ardor da pimenta malagueta se apossava das nossas gargantas.
Creio que mainha não curtiu muito aquela pasta apimentada, mas os demais embarcaram na experiência.
Acho que faço de novo.
